4/23/2009 10:33:00 PM Comment0 Comments

A verdade é: não há opção. Aceite, é o que eu digo. Aja como eu faria e, digo mais, seja melhor, o mundo exije cada vez mais, por que não exigiria de você? Só vou ajudar o essencial, o resto é de sua responsabilidade. Eu pago até saber que você tem uma maneira de conseguir dinheiro e pagar. Sim, eu lhe dou comida porque você precisa dela para ficar forte e vencer o mundo, afinal de contas, não está nele para perder. Por essa mesma razão sua vitória não será exaltada, é apenas um reflexo de sua obrigação, haverá recompensa quando o investimento for tamanho que é necessária uma forma de demonstrar aos demais seu merecimento. E assim será enquanto meus olhos estiverem em você. Suas escolhas devem ser condizentes (na verdade, devem refletir, ser completamente compatíveis) com as minhas. Ah, disciplina é imprescindível, desleixo é uma tendência sua e por isso deve ser reparado com mais força. Outra tendência sua é o erro, mas é óbvio que você não possui essa opção, não é com ela que se aprende, é com o ato de evitá-la que se mostrará mais forte, os fracos erram. Alguns distúrbios resultantes desse método podem se desenvolver durante a sua vida, mas o erro não está no método (porque ele funcionou comigo), o erro está em você, já cansei de dizer que é fraco. Nada me importa se você tem a idade mental três anos mais avançada que a corporal, sempre terá 25 anos a menos que a minha. Algumas concessões serão feitas, claro, sabemos em que situações você rende mais, contudo, lembre-se, só serão feitas as concessões que me forem convenientes. E digo mais, tudo que você é vem de mim, dos meus genes, dos meus planos e da rotina que planejei. Não vou mudar, é indiscutível e seu futuro será o que escolhi. Logicamente você sabe qual é, meus investimentos nunca são em vão, uma cria minha jamais nasceria para a derrota. Limites não foram criados para serem quebrados, mas, impostos.

4/22/2009 05:32:00 AM Comment1 Comments


Hoje, quebrei as regras. Aliás, quebrei normas que foram impostas a mim desde que nasci, sem nenhum direito a discussão, contestação ou reforma. Talvez a imagem do filho perfeito tenha sido um tanto arranhada e, para que volte ao normal, a reparação exija certo castigo. Na verdade, foi um erro honesto, se assim for possível definir. Não atentei a nenhum dos meus princípios mais fortes como filho. Não desobedeci às ordens mais rígidas de minha família, apenas desrespeitei um dos vários padrões daqui: o horário. É, pus meu pé em casa com certas horas de atraso e fui descoberto. A princípio senti um pouco culpa, mas, depois pensei: “certas barreiras apoiadas meramente em padrões excessivos devem (e precisam) ser quebradas.” Todo animal tem que romper a casca do ovo e não venham dizer que eu não rompi, porque uma hora saí da minha mãe, quebrei a mais dura de todas as cascas, saí de dentro de outra pessoa. Estou me sentindo bem, toda essa situação me faz lembrar que sou mais um adolescente do que um adulto em formação. Não sou perdoado como uma criança, entretanto não devo receber as mesmas responsabilidades que um adulto. Valeu e continuará valendo a pena ter uma boa noite de conversas e jogos com pessoas que gosto e posso chamar de amigos, sempre. Estou com um pouco de sono, provavelmente cansaço, porém provando de uma sensação que nunca tive. Eu errei e escolhi errar, por que, por quem e como errar. Não me interessa o que venha a ser o castigo (ou reparação), achei válido e não vou me arrepender, por mais que tenha outras oportunidades privadas mais tarde. Alguma hora eu tinha de errar, é um direito meu, é um direito humano. Estou saindo dos padrões, decepcionando expectativas de perfeição, divertindo-me sem pensar em meras convenções. Estou prestes a fazer dezessete anos, estou crescendo e finalmente sentindo mais do que as mudanças biológicas.
P.S: Sim, deu muita vontade de escrever um texto completamente inútil logo que cheguei em casa e não estou dando a mínima para a análise da qualidade dele (:

4/18/2009 07:36:00 PM Comment3 Comments


Há momentos nos quais me encontro numa euforia sem fim, em que transbordo de carinho e simpatia, em que vejo cada parte da vida pelo lado bom que ela tem a me oferecer. Por motivos diversos, na maioria das vezes inexplicáveis, entro nesse estado de realização e, quando menos espero, já estou fora dele. Por menores que sejam, meus lapsos são suficientes, vêm quando acho tudo normal por demais e me fazem analisar tudo por outra ótica, a ótica sem minha amargura natural, sem meu humor muitas vezes azedo, sem o veneno que dizem escorrer da minha boca quando falo. Nesses momentos meu único desejo é agradecer, a todos que estão a minha volta, pelos mais inusitados motivos de construirem minha alegria. É como se voltasse a ser criança, ou melhor, como se a criança que existe em mim tomasse todo o controle da minha mente e os que estão comigo fossem guardiões, pessoas que só querem meu bem. Nesses momentos percebo que realmente tenho esses guardiões, anjos de guarda que agem em prol da minha superação, minha melhoria. Posso não demonstrar, mas sei valorizar as pequenas ações, os mais breves momentos nos quais os que me circundam demonstram a razão de a vida ser tão mágica, o motivo pelo qual vale a pena acordar pensando que cada dia é uma chance indispensável de espalhar o bem, de querer bem, de "ser bem". Meus anjos agem de forma sutil, mas eficiente, e quando tomo consciência deles sinto que são indispensáveis, que são parte de mim. Acho que Bakhtin me dá a melhor definição possível dessa ação conjunta: "Sou na medida que interajo com o outro." Então sou melhor, porque os que interagem comigo querem que eu encontre o melhor.Espero que essas linhas captem todos aqueles que fazem de mim, cotidianamente, uma pessoa melhor pelo simples fato de existirem. O mais bonito de tudo é que o fazem de maneira inconsciente e inesperada, do mesmo modo que meus lapsos surgem e vão embora.

4/13/2009 06:32:00 PM Comment2 Comments

Bobo da corte, bufão, bufo ou simplesmente bobo é o nome pelo qual era chamado o "funcionário" da monarquia encarregado de entreter o reis e rainha e fazê-los rirem. Muitas vezes eram as únicas pessoas que podiam criticar o rei sem correr riscos.
Os bobos da corte são figuras interessantes. A começar porque de bobo pouco têm, são espertos, de pensamentos rápidos e traiçoeiros. Depois, porque geralmente têm algum fim para todas as suas ações, esperam conseguir algo de alguém. Sabem mentir, esconder e até manipular. De toda a corte, para mim são os mais interessantes, não têm uma posição beneficiada, não se apoiam em suas origens, dependem apenas das suas habilidades e inteligência. Às vezes me sinto um bobo da corte. É preciso fazer alguns rirem para, posteriormente, rir mais. É sensato se fazer de bobo para que outros não exijam mais do que se pode entregar. Minhas habilidades interessam [ou deveriam interessar] apenas a mim, uso-as quando percebo que é apropriado, com meios sutis para conseguir o desejado. Em passos mudos se trilha uma tranquila e sólida caminhada. Ser um bobo da corte é uma ótima maneira de desviar atenção dos seus projetos, é fazer com que tenham apenas uma impressão sua: a de que você está [apenas] preocupado em divertir os demais. Sim, engano, sim, dissimulo, mas é para manter meu ritmo. Além do mais,bobos muito sabem esconder a tristeza. Não adianta exibir algum mal que sinto, uma situação desagradável, uma perda, para a grande corte. A tristeza é uma sensação a ser divididas com poucos, do mesmo modo que gera compaixão, cria desprezo e demonstra fraquezas, que [para alguns "espertos"] são uma chance de se aproveitar. Enganar é necessário. Muita exposição gera expectativas, expectativas diminuem pessoas e trazem frustrações. Por isso, continuo assim porque de uma coisa eu sei: bobo bom é tão esperto que derruba qualquer rei.

4/08/2009 10:13:00 PM Comment2 Comments

Hoje, andando pelo Recife, vi um balão pichado num dos vários muros da cidade. Um balão daqueles que são usados para mostrar o pensamento de algum personagem de história em quadrinho, que parecem uma nuvem. Tinha escrito: “Você tem medo da solidão?” Diante dele eu parei, observei um pouco e, em voz baixa, respondi: “Não!”. Então pensei em todas as coisas que poderia fazer se vivesse só: leria muito mais, escreveria com mais frequência, ouviria várias músicas e não pensaria que sou/estou só. Depois, imaginei-me conversando com alguém sobre o livro que li, mostrando a alguém o texto que escrevi... É, fiquei em dúvida. Então pensei: “sou tão frio assim?” Depois refleti e conclui que sou frio sim, mas não por maldade.
Ignorar sentimentos alheios, pesar apenas a razão, evitar algum tipo de relação são consideradas ações frias e, por alguns, desumanas. Ser frio é considerado um erro, um sinônimo de alguém que não merece atenção, cuidado. Nesse ponto reside a contradição, errar é o que confere ao ser humano sua definição, usando o velho lugar comum: “errar é humano”. Do mesmo modo que ser frio é um erro, julgar também é. Muitos julgam alguém que está tomando atitudes frias sem tentar procurar as razões pelas quais tais ações são feitas. Frieza por vezes é uma máscara, alguns ignoram sentimentos para impedir que eles os tomem por completo e assim façam com que percam o controle, o que [nem sempre] pode ter um bom fim. O mesmo se estende às relações, pessoas são capazes de interferir de tamanha maneira na vida do outro que, para alguns, é melhor afastar. A psicologia explica, em certos casos, essa ação como uma forma de narcisismo, Narciso não achava que ninguém era bom o suficiente para ele. Eu vejo como insegurança, talvez o que afasta não se acha bom o suficiente para ninguém e sente medo de frustrar o próximo [ou se frustrar com ele].
Não quero me machucar, nem machucar o outro. Acho que só estou me defendendo. Mas, como o próprio parágrafo anterior explica, a frieza é só uma capa, capa que para mim serve de barreira para provar se um sentimento é verdadeiro o suficiente. Já que o clichê diz que o amor quebra todas as barreiras, que, comigo, ele comece quebrando essa.


3/19/2009 08:16:00 AM Comment2 Comments


Há momentos em que se necessita escrever e não se quer exatamente revelar o porquê, nem deixar que o texto transpareça. Escrever simplesmente por assim fazer com que se sinta melhor, por assim esvair alguma sensação que incomoda, machuca. Escrever mesmo sabendo que talvez não será lido, escrever sem pensar no alheio, no que ele pensará, é nesse momento, em que as palavras apenas desejam vir de mim para mim que acabam ecoando em outras cabeças e fazendo com que os outros identifiquem-se. Existem pessoas que querem compartilhar com os outros apenas o melhor, sejam histórias, sejam momentos, sejam [principalmente] sentimentos. Creio que me enquadro mais especificamente no terceiro exemplo de tal grupo acima citado, sentir-se mal, sentir-se triste não é algo essencialmente da minha natureza [creio eu] e quando isso acontece prefiro evitar transparecer para o próximo, de modo que minha melancolia não afete o dia do outro que poderia estar tão feliz, é a vontade de não se sentir uma pedra no caminho. É até irônico alguém tão extrovertido, tão voltado para relações sociais não querer expressar diretamente algo que tão lhe incomoda, algo que deseja ver longe de si. Contudo, às vezes é melhor sentir a dor, remoer a dor, refleti-la para que a mesma nunca mais volte [ou, pelo menos, afaste-se pelo maior tempo possível]. Às vezes é difícil demonstrar-se tão forte e controlador de si, mas é algo até divertido, visto que, para esconder algo, é útil exibir outra coisa muito mais interessante [mais atraente talvez]: alegria, por exemplo. É como o trabalho de um palhaço por dentro triste: fazer com que os outros riam para que as risadas ecoem em seu interior e surtam algum efeito no combate às suas desilusões. Pior é quando não sei o que sinto, pode nem ser dor. Vazio, talvez. Mas, resolver o vazio é bem melhor, é só deixar que um sentimento bom [vindo de alguém bom] me preencha a ponto de esquecer o que mais cedo senti, Difícil só é escolher de quem e qual sentimento abrigar.

1/17/2009 05:25:00 PM Comment1 Comments


Às vezes os rostos demonstram o inverso do que o coração sente e a mente remoe.

Às vezes não querem demonstrar nada, mas os corações alheios sentem e as mentes de terceiros remoem.

Eu não dei por esta mudança,

tão simples, tão certa, tão fácil:

— Em que espelho ficou perdida minha face?

Retrato - Cecília Meireles.

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