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7/05/2009 07:10:00 PM Comment2 Comments

Fria manhã, apática, chuvosa. Manhã excepcional de janeiro, comum em julho. Sensação fria, excepcional nesse jovem, comum para alguns. Sentir o princípio do fim é doloroso. Saber do princípio do fim é angustiante, torturante por ansiedade. É de se apegar a uma esperança, solitário desejo. Que não doa tanto quanto se imagina. Incrível como, de maneira inconsciente, lidou com o prazo. Acordou um minuto antes de o despertador forçá-lo. 4:59. Não queria sentir o susto, a pancada da realidade, mas desejava prolongar seu transe fugitivo o quanto fosse possível. Evitar a pancada faz parte do desejo de que não doa tanto quanto se imagina.

Fez o caminho de maneira inerte. Prova de que hábitos tendem à inércia. Na hora habitual, chegou ao destino. Lá a achou, sua conselheira, companheira, vítima de pancadas, causadora de suas dores. Com quem tinha um encontro diário, a única que o abraçava constantemente, um abraço que o fazia parte dela,engolia, acolhia. Ele, sentindo-se pequeno em sua imensidão, não era obstante em tentar conhecê-la em cada novo amplexo. Contudo, naquele dia, estava mais fria que o normal. Bem como mais lacônica. Ao tocá-la, foi como se cada parte de seus corpos estivesse sendo ferida. Um abraço cortante. Um afago invertido.

Iniciou o que devia fazer. A rotina, cumprir a rotina. Começou tão cedo que parecia infindável. Agora estava diante do (nunca tão cogitado) fim. Da outra borda. Os temidos últimos cinquenta metros que deveriam ser os mais rápidos, em tal dia, prolongaram-se com uma preguiça maliciosa. Pancada da realidade. Era preciso aceitá-la, não se pode viver no transe fugitivo dos sonhos, por mais que se insista em esticá-lo.

Nesse dia, e somente nele, é consentida, aos que se encontram nesse contexto, uma honra. Recompensa, talvez. No derradeiro dia de seu convívio, poderia passar com ela quanto tempo quisesse, o quanto fosse “suficiente”. E assim o fez. Como se prolongar a dor fizesse dela menos intensa. Procurava o cansaço e a exaustão para que esses preenchessem o vazio ameaçado de ocupação pela melancolia. Não obteve nenhum dos três. Sentiu torpor e para ele foi suficiente. Estava pronto para abandoná-la. Ela causou-lhe torpor, não havia motivos para manter contato.

Saiu. Deixou-a fria e imóvel. Prometeu-lhe voltar. Ali achou a melancolia. Agora, encontra cansaço e exaustão nas suas tentativas de retorno. Pancadas da realidade.

5/25/2009 09:20:00 AM Comment5 Comments


Há um bom tempo tenho analisado a diferença entre saber de algo e realmente aprender sobre tal assunto. Certos assuntos faço questão de demorar analisando, como alguém que,antes de prová-la, observa, por um instante, alguma inguaria que nunca comeu. Ontem ouvi uma frase e hoje parece que comecei a aceitá-la. "Pessoas não pertencem às outras para sempre". Não mesmo. Certas vezes, a afeição que se sente por alguém é usada como forma de aprisionar essa tão querida pessoa. Se eu pudesse, transformaria algumas pessoas em miniaturas e as carregaria no (meu!) bolso. Mas, não posso e devo aprender com isso. A vida é uma experiência bem curta, os relacionamentos encontrados nela são mais fugazes ainda. As pessoas não são eternas, o máximo de eterno que se pode ter em relação a alguém é o sentimento. Chegará o dia em que a separação será necessária. O contato se perde, as conversas são raras. Nós, viventes, nos separamos por nossas escolhas, não podemos viver em função dos outros, por mais que queiramos, por mais que seja prazeroso ou necessário. Deve-se respeitar a independência e liberdade de cada um.
De certa forma, o desejo de aprisionar alguém, de guardá-la no bolso, tem a ver com a incapacidade de aproveitar cada momento do relacionamento. Deseja-se alguém para sempre porque cada pessoa é uma fonte inesgotável de sensações. E se quer prová-las, uma a uma, com o seu "prisioneiro afetivo". Mas a beleza dos pássaros está no seu voo, não há como essa beleza se manifestar numa gaiola. É preciso deixar, deixar que o pássaro voe, talvez volte ou talvez você nunca mais o alcance. Mas, deixar que ele voe faz parte da confiança. É mais fácil manter um pássaro livre no seu quintal do que engaiolá-lo e perdê-lo assim que a gaiola quebrar. Você conheceu o pássaro livre, não possui o direito de aprisioná-lo. E assim são pessoas, livres, efêmeras, fugazes. Elas vão embora, porém, nunca igual a como chegaram e sempre mudando algo em quem deixam. O seu tempo não é o mesmo dos outros, então a ida nunca será sincronizada com sua capacidade de deixar ir. É melhor aceitar para que o sentimento (o único eterno) seja feito de boas lembranças, não da frustração pela "perda".

Depois de algum tempo você aprende a diferença,

a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.

Um Manual de Sobrevivência - Willian Shakespeare.

5/08/2009 08:24:00 PM Comment2 Comments

Lost ‘til you found

Swim ‘til you drown

Know that we all fall down

Love until you hate

Jump ‘til you break

Know that we all fall down

Ouvi essa música em diferentes momentos da minha vida, mas parece que nunca quis tanto entender e agir de acordo com a mensagem que vem nela quanto atualmente. Criei muitas expectativas, construí várias metas e, por muitas vezes, deixei de agir por causa do medo de errar.

Um pensamento tem sido bem recorrente em minha cabeça, antes era um mero conselho da minha consciência, depois passou a ser certo desconforto, mas agora é uma necessidade: “Preciso organizar minha vida”. Cheguei a um ponto em que “cansar” e “desistir” tem sido verbos muito comuns no meu vocabulário, geralmente conjugados no pretérito perfeito, seguidos pela vaga tentativa de trazer o verbo “mudar” para minha pessoa, minha primeira pessoa, fazer dele a primeira ação da minha pessoa. Esqueci-me de ser o sujeito e me tornei objeto, objeto de uma ação que escolhi praticar antes, no meu pretérito que agora parece mais que perfeito, graças à confusão na qual me encontro. Preciso unir o melhor do que fui com os planos do que posso ser, sair da inércia e, mais que tudo, errar.

Acho que já segui o primeiro passo do refrão. Estou me perdendo até encontrar o que quero ser, inclusive tentando agir em prol desse encontro. Contudo, ainda preciso nadar até me afogar, ainda preciso cansar. E não no sentido que tenho me cansado ultimamente, por descrença, por enjoo, mas por verdadeiro esforço, por tentar repetidamente. Preciso cair na piscina e nadar até perder todas minhas energias, porque mesmo me afogando terei a certeza de que nadei, não fiquei na raia perguntando se valeria à pena. Assim como amar até odiar, romper a linha tênue entre o amor e o ódio e depois entender porque amei e, ao final, escolher pelo amor, já que ele deve superar o ódio. Acreditar no amor sempre nos pareceu uma ótima válvula de escape. Assim como pular todos os meus obstáculos até quebrar, quebrar algum parâmetro, algum limite, ou me quebrar e, com isso, juntar meus pedaços numa forma de me conhecer. O que me permite isso é a consciência do erro, de que todos nós caímos, perdemos, vacilamos. “We all fall down”! Prefiro tentar e depois me orgulhar de ter agido a permanecer na preguiça e não mais evoluir. Meu medo não deve ser o de cometer os erros, deve ser de não saber repará-los.

“Whenever your world starts crashing down, that’s when you’ll find me”

4/30/2009 07:43:00 PM Comment7 Comments


-Talvez esteja morto. Disse o médico ao pai da criança logo após a mãe ter entrado na sala de operações

- Nós sabemos que ocorreu uma “bolsa rôta”, o rompimento prematuro da bolsa que abriga o bebê, a mãe estava perdendo o líquido amniótico e não percebeu, seu corpo estava absorvendo o líquido, de modo que poderia ocorrer uma infecção. Tudo indica que o próprio bebê rompeu a bolsa, quis forçar um nascimento precoce. Continuou o médico

O pai observava-o atentamente, olhos arregalados e uma face grave. A criança foi concebida durante a lua de mel, sonho do casal. Era a prova viva de um amor em constante crescimento, assim como a barriga da mãe, assim como o ser que nela habitava.

-Também devo advertir que a infecção ocorreria de maneira geral se a criança estiver morta, calcula-se que o líquido amniótico restante em sua esposa seja o equivalente a meia xícara de chá. Falava o profissional num tom seco, afinal estava acostumado com a ideia de ver mortes, fazia parte de sua labuta.

Há sete meses o casal católico tinha recebido o sacramento do matrimônio, a criança era prematura, não era esse o planejado. A mãe tinha tomado uma série de medicamentos para forçar o amadurecimento dos pulmões do bebê, não tinha percebido que estava absorvendo o líquido que serviria para nutrir seu filho, não tinha nenhuma noção de que o bebê poderia estar morto, nem sequer imaginava que poderia morrer tentando trazer uma vida ao mundo. Imaginava que existia uma complicação, afinal de contas estava rumo a uma cesariana durante uma sexta-feira, ainda por cima, um feriado, na manhã de primeiro de maio de 1992.

- A operação já foi iniciada, devo entrar para auxiliar o médico principal, em alguns minutos obteremos a resposta. Finalizou a conversa o médico que já tinha percebido a falta de vontade do pai em se comunicar.

O meu filho não vai morrer, eu tenho fé. Um fruto de amor não acabaria em desgraça, amo minha esposa, amo essa criança que em minutos terei a chance de ver. Eu não tenho dúvidas de que todo o esforço não foi em vão, não é justo que isso acabe em morte. A minha fé e a de toda minha família prevalecerá. Deus existe, seja lá como cada um crê que ele é, mas existe e não deixará que isso aconteça. E essa data será lembrada com grande felicidade como o momento em que uma criança forte venceu as dificuldades que lhe foram impostas. Será grande, será amado.

Assim o pai ajoelhou-se a rezar.

Minutos depois recebeu a notícia de que a operação foi um sucesso, a criança tinha nascido e sua esposa estava a salvo. Recebeu o nome de João Vitor.

João significa perdedor, é um nome comum. Vitor significa vitorioso, é praticamente o radical da palavra. O pai quis mostrar que o que aparentemente era uma derrota terminou em vitória. Mas, para ele, o mais importante significado do nome do seu filho vem da Bíblia. João significa amado.

4/29/2009 09:49:00 PM Comment1 Comments

Eis que, para mim, mais um ano está perto de se completar. Geralmente, nas proximidades dessa data, reflito sobre o que fiz no período que se passou, se alcancei minhas metas, se cumpri meus deveres. Então, que eu faça uma breve análise em forma de texto. Na manhã de 01/05/08, estava estudando história, mesmo sabendo que era meu aniversário e, ainda por cima, feriado. Naquele ano, meu tempo presente era apenas uma véspera do futuro. Meu ano de 2008 foi dedicado a uma meta, tinha um objetivo a ser cumprido e não deixaria que nada me desviasse dele até conseguir, ainda bem que no final do mesmo ano a vitória foi alcançada. Dei um passo muito importante na minha vida, um passo que gastei muitos anos me preparando para efetuar. Contudo, esse é o primeiro de uma grande trilha a traçar. 2009 trouxe para mim muitas alegrias, mas também, muita responsabilidade. Sinto que preciso estudar mais, quero ser muito em pouco tempo, o que traz consigo muito esforço. Esse hábito em certos momentos me machuca, o de exigir-me muitas vezes até mais do que possa alcançar. Sempre sou inconformado com o que faço, tal sentimento transforma todas as minhas reflexões pré-aniversário numa atividade um tanto frustrante, porém, não é de todo mau, ele me ajuda a evoluir. No campo das relações, 2008 me pôs em prova muitas “amizades”, que se desfizeram na mais rápida ameaça; já 2009 foi bondoso, trouxe algumas em que pretendo investir aprendendo com os erros das anteriores. Ah, claro, algumas características minhas afloraram com o passar desse ano, estou mais reflexivo e analítico, meu conhecimento se expandiu de forma considerável e também tenho pessoas com as quais vale à pena discuti-lo. Entretanto, algo me incomoda, já não sou mais uma criança, mas ainda não assumi a postura de adulto que procuro, porém sou auto-indulgente nesse aspecto, afinal de contas, a adolescência é o período da mudança, só preciso lembrar que estou próximo do fim dela... Enfim, creio devo olhar para meus dezessete anos com certo carinho e receio, carinho por estar caminhando para o homem que desejo ser e receio de não alcançar minhas expectativas, graças ao meu hábito anteriormente citado. Porém não posso reclamar desse hábito, se não o tivesse, o que faria de mim como sou? Talvez toda minha vida seja uma busca incessante pelo que procuro ser.

4/25/2009 12:09:00 PM Comment2 Comments


A quem importa se hoje a água estava mais fria? Se não quis sair da cama, se não quis ver, falar, nem ouvir. Quem se interessa por quantos sonhos ficaram no meio do caminho? Quantas vontades não foram satisfeitas, quantas dúvidas não foram resolvidas. De que adianta explanar as dores, reconstruir momentos de desespero, evocar situações de angústia? Nada, a resposta para isso tudo é nada. No vácuo é que todas essas sensações deveriam ficar, ou não ficar, não existir mais. Mas, elas são como uma música que um dia incomodou muito ouvir pela altura do seu volume. Com o tempo você se afasta dela e sua intensidade é menor, entretanto, a música sempre irá tocar, só que dessa vez mais baixo. E basta se aproximar do rádio que ela volta à tona e continuará irritando, até mais que antes, talvez. O problema é quando várias músicas se unem e formam uma sequência triste, das que puxam o pensamento na mais profunda desesperança. Dá vontade de ser surdo, dá vontade de nunca ter vivido. O pior é que nunca sei quando estou me aproximando do rádio, nunca percebo se o volume da música está aumentando gradualmente ou foi de maneira brusca. Só sinto que a sinfonia começou a tocar e nela mergulho, não quero pensar em mais nada, não quero ninguém. Procuro a fuga em algum lugar, em algo que me dê conforto, mas não há solução. A situação só se resolve se eu escutar toda a melodia (que durante seu percurso me parece sem fim) até enjoar de novo e, de uma maneira que nunca pude explicar por não saber como aprendi, abaixar o volume da música e deixar que outros sons, de preferência mais alegres, manifestem-se com o fim de me fazer esquecer daquelas tristes notas. Mas, acho que é inevitável, pois fui eu que ajudei a compor a canção e - por vir de mim - ela sempre ecoará em minha vida ensinando-me a aproveitar melhor as batidas felizes que meu coração dá. Não sei se um dia conseguirei, mas, por enquanto não vejo como regular o ritmo da sonora existência terrena.

4/22/2009 05:32:00 AM Comment1 Comments


Hoje, quebrei as regras. Aliás, quebrei normas que foram impostas a mim desde que nasci, sem nenhum direito a discussão, contestação ou reforma. Talvez a imagem do filho perfeito tenha sido um tanto arranhada e, para que volte ao normal, a reparação exija certo castigo. Na verdade, foi um erro honesto, se assim for possível definir. Não atentei a nenhum dos meus princípios mais fortes como filho. Não desobedeci às ordens mais rígidas de minha família, apenas desrespeitei um dos vários padrões daqui: o horário. É, pus meu pé em casa com certas horas de atraso e fui descoberto. A princípio senti um pouco culpa, mas, depois pensei: “certas barreiras apoiadas meramente em padrões excessivos devem (e precisam) ser quebradas.” Todo animal tem que romper a casca do ovo e não venham dizer que eu não rompi, porque uma hora saí da minha mãe, quebrei a mais dura de todas as cascas, saí de dentro de outra pessoa. Estou me sentindo bem, toda essa situação me faz lembrar que sou mais um adolescente do que um adulto em formação. Não sou perdoado como uma criança, entretanto não devo receber as mesmas responsabilidades que um adulto. Valeu e continuará valendo a pena ter uma boa noite de conversas e jogos com pessoas que gosto e posso chamar de amigos, sempre. Estou com um pouco de sono, provavelmente cansaço, porém provando de uma sensação que nunca tive. Eu errei e escolhi errar, por que, por quem e como errar. Não me interessa o que venha a ser o castigo (ou reparação), achei válido e não vou me arrepender, por mais que tenha outras oportunidades privadas mais tarde. Alguma hora eu tinha de errar, é um direito meu, é um direito humano. Estou saindo dos padrões, decepcionando expectativas de perfeição, divertindo-me sem pensar em meras convenções. Estou prestes a fazer dezessete anos, estou crescendo e finalmente sentindo mais do que as mudanças biológicas.
P.S: Sim, deu muita vontade de escrever um texto completamente inútil logo que cheguei em casa e não estou dando a mínima para a análise da qualidade dele (:

4/18/2009 07:36:00 PM Comment3 Comments


Há momentos nos quais me encontro numa euforia sem fim, em que transbordo de carinho e simpatia, em que vejo cada parte da vida pelo lado bom que ela tem a me oferecer. Por motivos diversos, na maioria das vezes inexplicáveis, entro nesse estado de realização e, quando menos espero, já estou fora dele. Por menores que sejam, meus lapsos são suficientes, vêm quando acho tudo normal por demais e me fazem analisar tudo por outra ótica, a ótica sem minha amargura natural, sem meu humor muitas vezes azedo, sem o veneno que dizem escorrer da minha boca quando falo. Nesses momentos meu único desejo é agradecer, a todos que estão a minha volta, pelos mais inusitados motivos de construirem minha alegria. É como se voltasse a ser criança, ou melhor, como se a criança que existe em mim tomasse todo o controle da minha mente e os que estão comigo fossem guardiões, pessoas que só querem meu bem. Nesses momentos percebo que realmente tenho esses guardiões, anjos de guarda que agem em prol da minha superação, minha melhoria. Posso não demonstrar, mas sei valorizar as pequenas ações, os mais breves momentos nos quais os que me circundam demonstram a razão de a vida ser tão mágica, o motivo pelo qual vale a pena acordar pensando que cada dia é uma chance indispensável de espalhar o bem, de querer bem, de "ser bem". Meus anjos agem de forma sutil, mas eficiente, e quando tomo consciência deles sinto que são indispensáveis, que são parte de mim. Acho que Bakhtin me dá a melhor definição possível dessa ação conjunta: "Sou na medida que interajo com o outro." Então sou melhor, porque os que interagem comigo querem que eu encontre o melhor.Espero que essas linhas captem todos aqueles que fazem de mim, cotidianamente, uma pessoa melhor pelo simples fato de existirem. O mais bonito de tudo é que o fazem de maneira inconsciente e inesperada, do mesmo modo que meus lapsos surgem e vão embora.

4/13/2009 06:32:00 PM Comment2 Comments

Bobo da corte, bufão, bufo ou simplesmente bobo é o nome pelo qual era chamado o "funcionário" da monarquia encarregado de entreter o reis e rainha e fazê-los rirem. Muitas vezes eram as únicas pessoas que podiam criticar o rei sem correr riscos.
Os bobos da corte são figuras interessantes. A começar porque de bobo pouco têm, são espertos, de pensamentos rápidos e traiçoeiros. Depois, porque geralmente têm algum fim para todas as suas ações, esperam conseguir algo de alguém. Sabem mentir, esconder e até manipular. De toda a corte, para mim são os mais interessantes, não têm uma posição beneficiada, não se apoiam em suas origens, dependem apenas das suas habilidades e inteligência. Às vezes me sinto um bobo da corte. É preciso fazer alguns rirem para, posteriormente, rir mais. É sensato se fazer de bobo para que outros não exijam mais do que se pode entregar. Minhas habilidades interessam [ou deveriam interessar] apenas a mim, uso-as quando percebo que é apropriado, com meios sutis para conseguir o desejado. Em passos mudos se trilha uma tranquila e sólida caminhada. Ser um bobo da corte é uma ótima maneira de desviar atenção dos seus projetos, é fazer com que tenham apenas uma impressão sua: a de que você está [apenas] preocupado em divertir os demais. Sim, engano, sim, dissimulo, mas é para manter meu ritmo. Além do mais,bobos muito sabem esconder a tristeza. Não adianta exibir algum mal que sinto, uma situação desagradável, uma perda, para a grande corte. A tristeza é uma sensação a ser divididas com poucos, do mesmo modo que gera compaixão, cria desprezo e demonstra fraquezas, que [para alguns "espertos"] são uma chance de se aproveitar. Enganar é necessário. Muita exposição gera expectativas, expectativas diminuem pessoas e trazem frustrações. Por isso, continuo assim porque de uma coisa eu sei: bobo bom é tão esperto que derruba qualquer rei.

4/08/2009 10:13:00 PM Comment2 Comments

Hoje, andando pelo Recife, vi um balão pichado num dos vários muros da cidade. Um balão daqueles que são usados para mostrar o pensamento de algum personagem de história em quadrinho, que parecem uma nuvem. Tinha escrito: “Você tem medo da solidão?” Diante dele eu parei, observei um pouco e, em voz baixa, respondi: “Não!”. Então pensei em todas as coisas que poderia fazer se vivesse só: leria muito mais, escreveria com mais frequência, ouviria várias músicas e não pensaria que sou/estou só. Depois, imaginei-me conversando com alguém sobre o livro que li, mostrando a alguém o texto que escrevi... É, fiquei em dúvida. Então pensei: “sou tão frio assim?” Depois refleti e conclui que sou frio sim, mas não por maldade.
Ignorar sentimentos alheios, pesar apenas a razão, evitar algum tipo de relação são consideradas ações frias e, por alguns, desumanas. Ser frio é considerado um erro, um sinônimo de alguém que não merece atenção, cuidado. Nesse ponto reside a contradição, errar é o que confere ao ser humano sua definição, usando o velho lugar comum: “errar é humano”. Do mesmo modo que ser frio é um erro, julgar também é. Muitos julgam alguém que está tomando atitudes frias sem tentar procurar as razões pelas quais tais ações são feitas. Frieza por vezes é uma máscara, alguns ignoram sentimentos para impedir que eles os tomem por completo e assim façam com que percam o controle, o que [nem sempre] pode ter um bom fim. O mesmo se estende às relações, pessoas são capazes de interferir de tamanha maneira na vida do outro que, para alguns, é melhor afastar. A psicologia explica, em certos casos, essa ação como uma forma de narcisismo, Narciso não achava que ninguém era bom o suficiente para ele. Eu vejo como insegurança, talvez o que afasta não se acha bom o suficiente para ninguém e sente medo de frustrar o próximo [ou se frustrar com ele].
Não quero me machucar, nem machucar o outro. Acho que só estou me defendendo. Mas, como o próprio parágrafo anterior explica, a frieza é só uma capa, capa que para mim serve de barreira para provar se um sentimento é verdadeiro o suficiente. Já que o clichê diz que o amor quebra todas as barreiras, que, comigo, ele comece quebrando essa.


3/19/2009 08:16:00 AM Comment2 Comments


Há momentos em que se necessita escrever e não se quer exatamente revelar o porquê, nem deixar que o texto transpareça. Escrever simplesmente por assim fazer com que se sinta melhor, por assim esvair alguma sensação que incomoda, machuca. Escrever mesmo sabendo que talvez não será lido, escrever sem pensar no alheio, no que ele pensará, é nesse momento, em que as palavras apenas desejam vir de mim para mim que acabam ecoando em outras cabeças e fazendo com que os outros identifiquem-se. Existem pessoas que querem compartilhar com os outros apenas o melhor, sejam histórias, sejam momentos, sejam [principalmente] sentimentos. Creio que me enquadro mais especificamente no terceiro exemplo de tal grupo acima citado, sentir-se mal, sentir-se triste não é algo essencialmente da minha natureza [creio eu] e quando isso acontece prefiro evitar transparecer para o próximo, de modo que minha melancolia não afete o dia do outro que poderia estar tão feliz, é a vontade de não se sentir uma pedra no caminho. É até irônico alguém tão extrovertido, tão voltado para relações sociais não querer expressar diretamente algo que tão lhe incomoda, algo que deseja ver longe de si. Contudo, às vezes é melhor sentir a dor, remoer a dor, refleti-la para que a mesma nunca mais volte [ou, pelo menos, afaste-se pelo maior tempo possível]. Às vezes é difícil demonstrar-se tão forte e controlador de si, mas é algo até divertido, visto que, para esconder algo, é útil exibir outra coisa muito mais interessante [mais atraente talvez]: alegria, por exemplo. É como o trabalho de um palhaço por dentro triste: fazer com que os outros riam para que as risadas ecoem em seu interior e surtam algum efeito no combate às suas desilusões. Pior é quando não sei o que sinto, pode nem ser dor. Vazio, talvez. Mas, resolver o vazio é bem melhor, é só deixar que um sentimento bom [vindo de alguém bom] me preencha a ponto de esquecer o que mais cedo senti, Difícil só é escolher de quem e qual sentimento abrigar.

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